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[PT] Leo Brouwer: Estudo IV

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O Estudo IV de Leo Brouwer faz parte do seu ciclo de 20 Estudios Sencillos. Escrito para fins pedagógicos, traz diversos tópicos relativos à aprendizagem do instrumento e da música no geral.

Ritmicamente, a sua organização não é "quadrada", contrariando a atual padronização que a maioria da música consumida pelas grandes massas prevê: música baseada em consecutivos, intermináveis e repetitivos compassos de 4 tempos. Esta obra está organizada em compassos alternados de 2 e de 3 tempos (2/4 + 3/4, 2/4 + 3/4, etc.) na sua totalidade.

As frases melódicas têm a duração de dois compassos, o que resulta em frases de 5 tempos (2/4 + 3/4 = 5/4) construídas maioritariamente com o mesmo padrão rítmico na melodia grave do polegar. Na verdade, a obra também poderia ter sido escrita em 5/4, ou seja, compassos mais longos de 5 tempos cada um. O compositor, no entanto, optou por dividir e agrupar em 2+3 ao invés de 3+2.

Tal como no Estudo I e noutros presentes neste ciclo, o Estudo IV exige diferenciar vozes na mão direita, cabendo ao polegar encarregar-se da melodia principal da voz mais grave, e aos indicador e médio, com ligeireza, exporem o acompanhamento das vozes superiores. O polegar deverá tocar a melodia grave com maior volume sonoro do que as notas tocadas com os dedos indicador e médio em simultâneo. Na minha ótica, interpretação ou juízo pessoal portanto, também na mão direita, no momento em que indicador e médio não estão a ser utilizados, estes deverão manter-se no ar, relaxados e desligados, sem pousar em nenhuma corda. Assim, o efeito de legato geral não é interrompido. Apesar do acompanhamento ter pausas de colcheia escritas na partitura, entendo que essas pausas sejam meramente de organização visual para uma melhor compreensão do discurso rítmico da peça.

Em relação à mão esquerda, Brouwer faz referência na partitura às constantes "posições fixas". Se bem executado, este Estudo promove uma maior independência de dedos na mão esquerda, já que enquanto uns dedos têm a obrigação de se manterem fixos, em posições fixas, outros têm de se mexer para continuar a movimentação melódica. Uma utilidade ainda mais prática desta aprendizagem é o facto de grande parte do repertório para guitarra clássica incluir passagens, ou até mesmo secções inteiras, nas quais enquanto uns dedos mantêm notas fixas de acompanhamento harmónico outros movimentam-se melódicamente. Apesar das posições fixas e o legato geral que, também, é necessário procurar na mão esquerda, não deverão manter-se ou sobrepor-se notas na mesma melodia. Ou seja, as notas graves, melodia neste caso, só deverão durar até à nota seguinte e não serem mantidas em sobreposição, tal como se canta. Afinal, em condições normais só conseguimos cantar uma nota de cada vez!

Uma dificuldade nova e peculiar para muitos alunos no seu percurso de aprendizagem é a execução de meias barras que, para soarem limpas de ruídos, obrigam à dobragem “ao contrário" da última articulação do dedo 1, recorrendo à força, elasticidade, precisão técnica e independência entre dedos (tanto na gestão relaxe/tensão como na gestão movimentação/imobilização).

Como toda a música, esta obra deverá ser tocada explorando a expressividade musical, a transmissão de sensações, significados ou emoções, passando pelos campos da abstração e da subjetividade musical. Pessoalmente, e tendo em conta o estágio de aprendizagem em que os alunos se encontrarem, prefiro incentivá-los a se exprimir usando variações dinâmicas e tímbricas, e possivelmente alguma agógica nalguns pontos estratégicos, determinadas autonomamente por eles, com alguma ajuda e/ou monitorização da minha parte, ao invés de os forçar a seguirem de maneira estrita o que diz na partitura sobre a expressividade. Acredito que, nós músicos-professores, abrindo espaço para a espontaneidade criativa na expressividade musical dos alunos, podemos levar os mesmos a sentirem um maior envolvimento com a importância ou significado, ainda que subjetivos, que a interpretação e a expressividade têm ou podem ter em música, independentemente do estilo.

Aprender, o que for, é consequência do experimentar, seja no campo do “tangível”, seja “apenas” na nossa própria mente. Aprender a expressar de modo convincente implica experimentar diversos caminhos, dentre eles, e como exemplo, a imitação, a reprodução exata, a reprodução conscientemente inexata, a criação intencional. Tal como na fala, aquilo que tentamos significar em música só consegue convincentemente cativar quem nos ouve se o nosso discurso estiver carregado de intenção. O significado não se expressa apenas por palavras. A intenção também altera a nossa expressão, e esta alteração também altera o significado, e muito!

Fernando Tona, 16 de novembro de 2020

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