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Isso é muito antissemântico!

Fiquei agradavelmente surpreendido pela vaga de indignação contra Israel e o apoio generalizado aos palestinianos. Por um breve instante, ninguém pareceu temer o maldito rótulo para quem ousa tecer a menor crítica a um membro do Povo Escolhido por Deus™: https://www.britannica.com/topic/chosen-people **Antissemita** Um rótulo por sinal curioso, tendo em conta que os judeus são apenas um de vários povos semíticos, e uma boa parte deles nem isso são. https://en.wikipedia.org/wiki/Semitic_people https://www.livescience.com/40247-ashkenazi-jews-have-european-genes.html

De qualquer forma a palavra tornou-se o escudo perante qualquer crítica ou reparo, algo equivalente a "racista" ou "nazi" mas apenas para aquele grupo em concreto. Não é qualquer religião/etnia que tem direito a uma palavra própria, atenção. Aliás, a ligação entre antissemita e nazi é tão forte que são muitas vezes utilizadas como sinónimos. Afinal de contas, quem ousa apontar o dedo a um judeu, seja pelo que for, é literalmente Hitler. Curioso, portanto, o apoio generalizado que recebem da direita em vários países. André Ventura, o nosso nazi de estimação, é categórico ao proclamar o seu apoio a Israel. https://rr.sapo.pt/2019/10/07/legislativas-2019/o-que-defende-o-chega-o-fim-da-educacao-e-saude-publicas-e-o-presidente-a-chefiar-governo/noticia/167330/ Claro que, ainda assim, esta foi a primeira linha de defesa dos Israelitas e seus aliados. Perante os comentários de Erdogan, nos quais acusava Joe Biden de "escrever a História com as mãos ensanguentadas" pelo seu apoio a Israel, os EUA apontaram-lhe de imediato o dedo, acusando o presidente turco de antissemitismo. https://zap.aeiou.pt/nao-ha-cessar-fogo-a-vista-em-gaza-403557 Ainda antes de Israel andar plasmado nas notícias, o mesmo aconteceu a uma figura do nosso país. No início deste ano, o coronel Rodrigo Sousa Castro, ilustre Capitão de Abril, foi linchado publicamente após tecer um comentário sobre o poder económico que os judeus exercem a nível mundial, e que Israel alavancou para assegurar um stock bem aprisionado de vacinas numa altura em que os países ocidentais ainda se engalfinhavam para ver quem as recebia primeiro. https://expresso.pt/politica/2021-02-08-Capitao-de-Abril-Sousa-Castro-arrasado-apos-comentario-sobre-judeus-no-Twitter.-Embaixador-chama-lhe-antissemita-primitivo https://theconversation.com/israels-vaccine-rollout-has-been-fast-so-why-is-it-controversial-and-what-can-other-countries-learn-153687

O embaixador de Israel em Portugal partiu para o insulto barato, chamando-o de "antissemita primitivo" e "racista ignorante". O Ventura foi recentemente condenado em tribunal por chamar bandidos a alguns moradores do bairro da Jamaica - um dos quais acusado e condenado por vários crimes, o que faz dele efetivamente um bandido em qualquer acepção do termo. Por outro lado, um embaixador - representante oficial do seu país - desata a insultar uma figura nacional com impunidade, e é o insultado que mais tarde vem pedir desculpa. https://observador.pt/2021/05/24/andre-ventura-condenado-por-ter-chamado-bandidos-a-moradores-do-bairro-da-jamaica/ O barulho chegou aos EUA, com o lobby AJC a mostrar-se "horrorizado" com as "conspirações antissemíticas" do coronel. No lado da imprensa, Esther Mucznik, a judia residente do jornal Público, saltou-lhe logo em cima numa série de artigos consecutivos, fazendo render o peixe. https://www.publico.pt/2021/02/11/opiniao/noticia/ha-antisemitismo-portugal-1950008 Nenhum destes ilustres críticos se dignou a refutar os argumentos do coronel Sousa Castro, para lá de simplesmente dizerem que "não são verdade". Antes limitaram-se a gritar **antissemitismo**. O grito de guerra do judeu é fazer-se de vítima e lembrar perseguições passadas. Aliás, é precisamente através desse prisma que este povo nos é apresentado. Perfazendo uma percentagem minúscula da nossa população, a esmagadora maioria dos portugueses apenas os conhecerá das aulas de história, primeiro aquando da expulsão do nosso território por El-Rei Dom Manuel I, e mais tarde, já no séc. XX, a propósito do Holocausto. Detetam a semelhança? Os dois momentos em que se falam de judeus são de perseguição injusta e extermínio à mão dos malvados racistas. A história começa a meio, nunca se abordando os motivos que os levam a ser perseguidos em primeiro lugar, o porquê de não se integraram na maioria dos países para onde emigraram ao longo da história, levando a que sejam expulsos de praticamente todos eles. Se o meu filho for expulso de uma escola, pode ser perseguição. Se for expulso de 100, começa a ser estranho. https://en.wikipedia.org/wiki/Expulsions_and_exoduses_of_Jews E no entanto nem as expulsões, nem o quase extermínio à mão dos nazis, conseguiram impedir a escalada rumo ao sucesso deste povo extraordinário, como é evidente no país onde melhor se estabeleceram - os Estados Unidos da América. Perfazendo apenas 1,5% a 2% da população, constituem no entanto 35% dos multimilionários norte-americanos, e uma percentagem desproporcional do gabinete do presidente eleito Joe Biden. Aliás, se há coisa que Joe Biden e Donald Trump têm em comum - achavam que não havia uma única coisa? - é o facto de todos os seus filhos/as que se casaram, terem-no feito com cônjuges judeus. A probabilidade estatística ajoelha-se perante o hebreu. https://racehist.blogspot.com/2013/04/2012-forbes-400-by-ethnic-origins.html https://www.jewishvirtuallibrary.org/jews-in-the-biden-administration

Todo este poder político e económico é colocado a uso no apoio a Israel. *Lobbys* como o AIPAC (American Israel Public Affairs Committee) ou o American Jewish Comittee acima mencionado há muito que se infiltraram na política americana com o único intuito de a voltar para o apoio - social, económico e militar - a Israel. Tem dado resultado. Num país com tensões políticas no ponto de rutura, o apoio a Israel parece ser a única constante. Republicanos e Democratas digladiam-se com unhas e dentes sobre virtualmente todo os assuntos à face da terra, mas numa coisa estão de acordo - os EUA têm de ajudar Israel. https://carnegieendowment.org/2021/05/12/bringing-assistance-to-israel-in-line-with-rights-and-u.s.-laws-pub-84503 Os EUA também suportam Israel com bens mais tangíveis que apoio moral, enviando todos os anos milhares de milhões de dólares em "ajuda". Já com Joe Biden no poder, o apoio proposto a Israel em 2021 é de 3,300 milhões de dólares, já para não falar na recente venda de armamento avaliada em 735 milhões de dólares, que é um literal atirar de lenha para a fogueira do conflito. https://www.nbcnews.com/news/world/far-away-tense-jerusalem-squad-pressures-biden-israel-palestinian-conflict-n1267275 https://foreignassistance.gov/explore/country/Israel https://twitter.com/washingtonpost/status/1394245300726878208?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1394291939911028739%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es3_&ref_url=https%3A%2F%2Fzap.aeiou.pt%2Fcumplicidade-criminosa-biden-403254 *Lobbys* como o AIPAC conseguiram convencer o povo americano de que Israel é o seu aliado estratégico no médio oriente, e portanto deve ser defendido a todo o custo, mas a realidade é o exato oposto: sem o dinheiro e o apoio militar dos EUA - que combatem as guerras de Israel por procuração - este pequeno país ilegalmente plantado já teria desaparecido há muito. Olhando para trás, é fácil ver que a Guerra ao Terrorismo não beneficiou muito os EUA, para lá de encher os bolsos das empresas de armamento e construção civil. Gastaram-se milhões de dólares e milhares de vidas humanas. Para os países ocupados, foi catastrófico. A queda de Saddam lançou o Iraque no caos que permitiu o posterior aparecimento do Estado Islâmico - que, curiosamente, nunca atacou Israel. https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_ao_Terror Quem beneficiou, então? A resposta é clara. De repente, todos os inimigos que há anos vinham a ameaçar Israel, foram invadidos por uma força estrangeira - e sem qualquer custo para eles. Isto sim, é fazer guerra!

"Israel é o nosso único aliado no Médio Oriente", continuam a dizer alguns americanos. Meu, antes de haver Israel, vocês nem sequer tinham **inimigos** no Médio Oriente! É por estas a por outras que os comentários do coronel Sousa e Castro não são de todo descabidos, nem uma maluca teoria da conspiração. Os judeus são desproporcionalmente poderosos, e usam esse poder em seu benefício. Esta última observação poderá parecer um autêntico truísmo. Qualquer povo procura acima de tudo o seu benefício - isto é, exceto os brancos que se autoflagelam pelos pecados da escravatura e colonialismo - mas os judeus levam isto a novos extremos. https://i.imgur.com/6cVnO.jpg Como dizia Esther Mucznik, a jornalista do Público que mencionei acima, "sou portuguesa, judia e sionista." Se Portugal e Israel entrassem em guerra, pergunto-me de que lado ficaria. No seu livro The Culture of Critique, o último de uma trilogia voltada para o estudo do povo judaico, Kevin MacDonald postula que os judeus se distinguem pelo seu "hiper-etnocentrismo", uma preferência desmesurada pelo próprio grupo em detrimento de "forasteiros" (ou *goyim*, para utilizar o hebraico). Isso ajuda a explicar o apoio, direto e indireto, que tantos judeus pelo mundo fora demonstram por Israel - um país estrangeiro com o qual a maioria não tem qualquer ligação exceto aquilo que percecionam como um elo étnico e religioso. Os cristãos lideram as tabelas de perseguições por motivos religiosos, mas quando há um atentado no Sudão ou na Somália, nenhum cristão europeu ou americano parece muito incomodado. Israel é criticado como no comentário do coronel, e judeus pelo mundo fora gritam em protesto. https://www.forbes.com/sites/ewelinaochab/2020/02/18/persecuted-christians-are-not-given-much-hope-in-2020/ Já dentro das suas fronteiras, os Israelitas lutam incansavelmente por mudar a perceção do seu país no resto do mundo. Tornar-se embaixador é o emprego de sonho para um Israelita, mais importante que ser presidente do próprio país. Todos aqueles que não o conseguem podem sempre tornar-se guerreiros de teclado atrás de um ecrã na Jewish Internet Defense Force, infiltrando redes sociais para mudar o tom do discurso a seu favor. https://en.wikipedia.org/wiki/Jewish_Internet_Defense_Force

Entretanto, enquanto escrevia este artigo, houve lugar a um cessar-fogo, e com os ânimos a acalmarem-se são cada vez mais as vozes que se erguem contra o Hamas e em defesa do direito de Israel a se auto-defender. Talvez a opinião pública tenha mudado numa questão de dias, ou talvez sejam os guerreiros da JIDF a trabalhar. Seja como for, se há conclusão que podemos retirar de tudo isto é que os judeus são de facto um povo incrível. Por um lado ricos, poderosos e influentes, unidos a nível global por um sentido comum de pertença ao mesmo grupo étnico e religioso seja qual for o país onde cada um reside, e capazes de afetar as políticas estrangeiras de nações onde são apenas uma percentagem da população. Por outro são vítimas indefesas, vivendo apavorados de radicais de extrema-direita e teóricos da conspiração, temendo que a qualquer momento possam ser vítimas de um novo Holocausto. E se a ameaça não existir, inventa-se, como quando a ADL inventa estatísticas para vender a ideia de que os judeus enfrentam ameaças atrás de cada esquina ou aqueles judeus que pintam suásticas na sua própria casa e fazem queixa à polícia. https://www.tabletmag.com/sections/news/articles/correcting-the-adls-false-anti-semitism-statistic https://www.newyorkupstate.com/capital-region/2017/03/jewish_man_arrested_after_spray_painting_swastikas_on_his_own_home_in_upstate_ny.html Talvez ninguém lhes tenha dito que não se pode ser vítima e opressor ao mesmo tempo. Ou talvez nada esteja para lá do alcance do excecionalismo judeu. https://www.opendemocracy.net/en/opendemocracyuk/why-turning-to-jewish-exceptionalism-to-fight-antisemitism-is-failing-project/

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