Ela Foi Embora Sem Saber Que Eu a Amava **Introdução:** Esta é uma história sobre o que não foi dito. Sobre o amor que chegou, ficou… e partiu em silêncio. Mateus e Celma se conheceram onde tudo parecia calmo — mas o que viveram foi tudo, menos paz. **Capítulo 1: As Cores Que o Sol Esconde** O parque parecia o mesmo — as árvores altas, o som distante dos pássaros, o lago refletindo o pôr do sol como um espelho quebrado de memórias. Mas para Mateus, nada era igual. Era o mesmo lugar onde, meses antes, ele e Celma haviam criado algo que ele nunca conseguiu entender completamente... algo que ele agora sabia ter sido amor. Sentado no banco de madeira, o vento trazendo o perfume leve das flores, ele fechou os olhos e se deixou levar pelas lembranças. Lembrava-se de quando a viu pela primeira vez ali mesmo. Ela estava com os pés descalços, rindo sozinha de alguma coisa que lia num livro. Ele se sentou perto, fingindo ler também, mas passou mais tempo a observá-la que qualquer outra coisa. Com o tempo, os encontros no parque viraram hábito. Conversas sobre tudo e sobre nada. Risos. Silêncios confortáveis. Mas ele nunca disse o que sentia. Por medo. Por covardia. E agora... agora ela ia embora. Naquela noite, ele não conseguiu dormir. As palavras que engoliu por tanto tempo o sufocavam. Precisava falar. Mesmo que fosse tarde demais. **Capítulo 2: O Último Adeus** O sol mal nascia quando Mateus chegou à casa de Celma. A mala dela já estava pronta na varanda. O carro de viagem parado à frente. O coração dele batia como um tambor furioso dentro do peito. A porta se abriu, e ela apareceu, surpresa, com os olhos cansados, mas sempre lindos. — Mateus...? O que fazes aqui? Ele respirou fundo, como se puxasse coragem do próprio chão. — Eu... eu precisava dizer. Eu não podia deixar que fosses sem saber. Eu te amo, Celma. Desde aquele dia no parque. Eu sempre te amei... só tive medo de estragar tudo. Mas agora eu sei... que era pior não dizer. Ela ficou em silêncio. E naquele instante, ele teve esperança. Mas então, ela desviou os olhos. O brilho no olhar virou tristeza. — Eu também te amei, Mateus... por tanto tempo. Esperei por essas palavras por meses. Mas tu nunca disseste nada. Comecei a pensar que era só eu. E agora... — a voz dela falhou — agora é tarde demais. Nesse momento, um homem apareceu atrás dela, saindo da casa. Alto, moreno, com um sorriso calmo. — Está tudo bem, amor? Quem é ele? Ela hesitou. O mundo de Mateus pareceu girar. — Este é o Mateus — disse ela, com a voz fraca. — Um... velho amigo. Mateus, este é o Oliver. Meu namorado. Vamos viajar juntos. Mateus não conseguiu responder. A dor no peito era real, como se algo tivesse se partido lá dentro. Ele só assentiu, tentando sorrir, tentando ser forte. Ela se despediu com os olhos. Mas ele sabia... aquele era o fim da história que nunca começou.
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